segunda-feira, 1 de agosto de 2011

31 DE JULHO DE 1988 - ERA PRA TER SIDO!

Foi, portanto há 23 anos. O Guarani poderia ter se sagrado campeão paulista. Teve tudo a favor. Um time competente, onde estrelas como Evair e Neto brilhavam no cenário nacional, diretoria atenta às coisas do futebol, torcida apoiando e interagindo com a equipe e a decisão novamente no Brinco de Ouro, onde dois anos antes também poderia ter conquistado seu segundo título brasileiro contra o São Paulo. Nesse ponto o débito fica para José de Assis Aragão, um árbitro de conduta duvidosa naquele distante 1986!
O Guarani decidiu contra o Corinthians. No dia 24 de julho, em São Paulo no Morumbi, a primeira partida foi marcada pelo equilíbrio. Contudo um lance histórico marcou o jogo. O gol de Neto, acertando uma sensacional "bicicleta", que calou o Morumbi lotado de Corintianos e arrancou do craque a famosa frase após o gol: _"Eu sou f....", e era mesmo. Neto vivia um grande momento. Com apenas 20 anos, era a grande esperança brasileira para a Copa que viria a seguir em 1990. Mas Lazaroni preferiu Bismark e ficamos apenas nas oitavas contra Maradona e Caniggia, argentinos que nos caçoam até hoje.  
No dia 31 de julho as equipes voltavam para o segundo jogo. O primeiro terminara empatado, graças ao gol de Edson Abobrão no fim da partida. No primeiro jogo, além do golaço de Neto, um personagem que se tornaria histórico também entrara no decorrer do jogo... Viola!
Pois bem, o jogo do dia 31 de julho de 1988, lotou o Brinco. Foram quase 40 mil almas, divididas entre bugrinos e corintianos. O Guarani era o favorito. Tinha um time capaz de vencer. Seria, portanto o batismo do clube com o título estadual, já que dez anos antes fôra campeão brasileiro. Num jogo tático, onde Carbone e Jair Pereira, se desdobravam  para surpreender, o equilíbrio foi a tônica da partida. E a prorrogação era um caminho natural para o desfecho e até a decisão por pênaltis seria lógica.
No primeiro tempo da prorrogação, Wilson Mano domina a bola pela direita e arrisca um chute despretensioso... Desses para se livrar da bola... No meio do caminho ela encontra Viola, que apenas desvia de Sérgio Neri e o Corinthians abre o placar. Ressalte-se que se o bugre empatasse seria o campeão... Mas não conseguiu!
O Corinthians, mesmo com time inferior, saiu-se vencedor e campeão em pleno Brinco de Ouro... O melhor jogador do Brasil naquele momento, Neto, ganhou noticiários apenas por ter se desentendido com Carbone. E assim aquilo que poderia ter sido não foi... Mais uma vez o Guarani perdia um título dentro de seu campo...
Contudo, são memórias de um tempo bom para o futebol de Campinas... Éramos felizes e não sabíamos!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

AO MESTRE COM CARINHO!

Sidney Poitier interpretou o professor Mark Thackeray, filme de 1967 e que tornou-se referência naqueles turbulentos finais de anos 60. No ano seguinte Zuenir Ventura lançaria a polêmica obra literária "1968 - O Ano que não terminou". Refletia com fidelidade a angústia da juventude em buscar mudanças para um mundo desigual e injusto!
1967 é o ano em que nosso Mestre Dicá se torna jogador de futebol profissional.Ele começara um ano antes nos juvenis da Ponte Preta, levado por Renato Righeto e treinado por Carlos Verginelli Neto, o seo Lilo. No início de carrreira Dicá era praticamente um centro avante. Artilheiro, agressivo e ainda por cima talentoso. A virtude da elegância, inteligência e sentido coletivo ele levou pela carreira toda. A agressividade como atacante ficou apenas no início de carreira. Aos poucos se transformou em meia ponta de lança e nos anos 70 consolidou-se como meia armador, o camisa 10 do time.
Dicá jamais teve pretensões de ser Mestre. Menino simples e tímido, nascido , criado e vivido no movimentado e bucólico bairro da Sta Odila, ali pertinho do seminário de padres, onde as coisas do bairro aconteciam. Dicá foi jogador do E.C. Sta Odila com 15 anos. Mirrado, mas lépido, enfrentava os violentos zagueiros da várzea de Campinas. Sempre protegido por Walter Pezão, seu irmão de sangue e filho mais velho do seo Oscar, o pai que também adorava futebol.
O título do filme a que  me refiro, me serve para homenageá-lo sempre que a oportunidade aparece. Procuro não perdê-la, porque para mim Dicá foi o maior jogador que atuou em Campinas. Nunca me envergonhei de reverenciar – lhe idolatria. Acho que deveria patentear a marca, antes que algum aventureiro o faça e se apresente como admirador do Mestre sem ser. 
Nesse dia 13 de julho de 2011, Mestre Dicá completará 62 anos de idade. Formou uma família exemplar,  D.Berenice  uma espécie de seu anjo da guarda, os filhos Rodrigo, Gustavo, Neto e Letícia. Hoje tem nos netos a extensão do seu clã amado. Para ele não existe bem maior que a família.
Querido Mestre e amigo! Suas jogadas jamais sairão da lembrança de quem o viu em ação. Na Ponte, No Santos e até no Paulista por pouco tempo. O futebol brasileiro lhe deve porque não lhe vestiu a verde amarela. Contudo temos por você uma gratidão que só Deus pagará, nossos corações estarão sempre à espera de ocasiões em que lhe possamos reverenciá-lo com o carinho que mereces, como nesse seu aniversário de 62 anos! Parabéns!
João Carlos de Freitas