quinta-feira, 2 de setembro de 2010

CENTENÁRIO DO CORINTHIANS - O DIA EM QUE PELÉ FOI APLAUDIDO PELOS CORINTHIANOS


E efetivamente começa o centenário do timão! Fênomeno popular, por vezes inexplicável, mas que se mantém como uma fortaleza inquebrantável. Conheci o Corinthians nos anos 60, assim como o futebol. Meu tio Miguel, que me ajudou a entender e gostar de futebol, talvez tenha sido para mim o maior embaixador. Ele é corinthiano fanático. Me lembro que naqueles romanticos anos 60, sempre que possível ele estava frequentando os estádios da capital para se encontrar com essa incrível paixão. Minha predileção pelas suas "estórias" era ouvir sua descrição sobre os jogadores do passado. E ele falava com entusiasmo de Tufi, Gilmar, Homero, Idário, Roberto, e seus olhos brilhavam ao escalar o ataque campeão do 4º centenário sobre o Palmeiras em 1954, o ano em que nasci. Claudio, Luizinho, Baltazar, Carbone e Mario. Eram seus grandes ídolos, ao lado de Chico Alves, o rei da voz. Seu desejo era de que eu torcesse para o Corinthians. Naqueles tempos os garotos, quando iam jogar peladas encarnavam algum personagem do futebol. Eu dizia que no gol era Gilmar. Nessa época Gilmar já era do Santos, mas acho que ele tinha alguma esperança de me fazer corinthiano. Até assistir à Dorval, Mengalvio, Coutinho, Pelé e Pepe, dei esse crédito para o tio Miguel. A partir dali, não me contive ante as mágicas do velho Santos da década de 60. Talvez tenha decepcionado a ele. Mas todos respeitaram, afinal minhas razões eram óbvias. O primeiro grande contato que tive com o Corinthians, foi em 1968. Embora acompanhasse desde 61 todos os movimentos da bola, fui apresentado ao Morumbi pelo meu querido Tio Miguel. Foi num Santos X Corinthians. Eu fui lá pra ver Pelé. Até que o rei se machucou ali pelos 30 do primeiro tempo. Macedo, então massagista do Santos, correu de forma desabalada e acudiu às dores de Pelé. Tentou recuperá-lo, mas não foi possível. Naqueles segundos de atendimento, até rezei para que Pelé voltasse. Afinal eu estava ali por causa dele. O Morumbi ainda estava pela metade em seus anéis superiores. Lotado de corinthianos, até porque no primeiro turno o timão tinha quebrado o tabú de onze anos sem ganhar do Santos. Pelé se levantou, bateu a chuteira no gramado, e se rendeu à contusão. Estava fora do jogo. Não conseguia caminhar e Macedo o sustentou pelos ombros. Na caminhada até o túnel, a torcida do Corinthians ameaçou uma certa vaia. De repente, Pelé pede ao massagista que o coloque no chão. Se sustenta com muita dificuldade praticamente com o pé direito pendurado. Acena para a torcida do Corinthiana num educado cumprimento e recebe os mais calorosos aplausos daqueles "inimigos" que o reconheciam com carrasco e insuperável. Não bastasse passam a gritar: PELÉ, PELÉ, PELÉ.... E o rei foi para os vestiários triste por deixar a partida e feliz pela homenagem. Nos meus 14 anos de idade, confesso que esmaguei uma lágrima e passei a entender a razão do Corinthiano ter prazer em estar junto. Eles conseguiram refletir a sede da justiça. Foram justos com Pelé ao reconhecerem sua majestade! Para mim fica uma lembrança que me faz desejar mais 100 anos de existência ao fenômeno de massa chamado CORINTHIANS!!!

João Carlos de Freitas

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

GUARANI CAMPEÃO BRASILEIRO 78 - 32 ANOS

Era um domingo ensolarado. O jogo foi às 4 da tarde, horário nobre do futebol. Foram quase 30 mil almas torcendo pelo bugre. A primeira partida no Morumbi terminou com vitória do Guarani. 1 a 0. Gol de Zenon cobrando pênalti, após leão ter sido expulso por agredir Careca. Escurinho então atacante do Palmeiras foi para o gol. O Guarani entrou como favorito e apenas confirmou. Careca, naquele instante do futebol brasileiro, a maior revelação. Fez o gol do título! Talvez um dos maiores times brasileiros de todos os tempos. Me lembro que João Saldanha, jornalista e cronista esportivo, reivindicava da antiga CBD, o time do Guarani para representar a seleção na copa da Argentina. Dizia: _ A base do Guarani com alguns reforços pode ganhar a copa. O equilíbrio de Zé Carlos, experiente, tinha vindo do cruzeiro e era acostumado a disputar títulos. Um volante clássico, que defendia com elegância e armava com inteligência. Talvez o modelo ideal para a posição em todos os tempos. Pela grandeza do seu futebol deveria ter sido reconhecido como tal. Zenon, armador insinuante e técnico alimentava os gênios da equipe. Renato e Careca. Uma dupla de área comparável às melhores que tivemos no Brasil.

Vínhamos de derrota na copa do mundo. O famoso campeão moral sugerido por Coutinho, não era suficiente para consolar o torcedor brasileiro. Por isso o time do Guarani adquiriu uma enorme importância naquele momento. Representava os anseios do torcedor brasileiro pela beleza do futebol apresentado. Era prazeroso assistir aquele time. Foi um campeão reconhecido nacionalmente. Ganhou campos da América do Sul disputando a libertadores.

É muito justo que lembremos da data. Marca um fato inédito para o interior do Brasil, mas faz voltar à memória um dos grandes instantes do futebol brasileiro. Hoje temos os meninos da Vila. Naquele distante 1978, tínhamos os garotos do Guarani, irreverentes e encantadores na arte da bola!

João Carlos de Freitas