quinta-feira, 20 de outubro de 2011

LEMBRANÇAS DO SEO ZÉ

Se vivo estivesse completaria 76 anos de idade neste  19 de outubro. O coração "abacate" do seo Zé Duarte não lhe permitiu seguir um pouco mais. Em Campinas, onde a rivalidade de bugrinos e pontepretanos é levada muito a sério, Seo Zé conseguiu reunir as duas bandeiras no dia de seu velório. No caixão emoldurado por flores e faixas de mensagens de saudade, uma bandeira de cada time. Para um profissional que por tantos anos trabalhou no futebol, talvez tenha sido o maior troféu de sua carreira. O reconhecimento em partes iguais das duas torcidas.
Me lembro do seo ainda jovem, trabalhando como treinador nas categorias de base do Guarani. Naqueles turbulentos anos 60, o sonho de todo garoto era ser jogador de futebol. E numa daquelas tardes de treino dos infantis do bugre, passei a mão na minha chuteira "Gaeta" e me apresentei no Brinco de Ouro para um treino. Os garotos em fila eram atendidos pelo seo Zé. Sentado em uma das escadas de entrada das sociais do estádio ele atendia um a um e sempre dava uma recomendação. No meu caso me sugeriu comer bastante "feijão" e tomar chá de bambú pra crescer e ficar forte! Eu era quase que "raquítico", mas muito habilidoso e rápido com a bola nos pés.
No ano de 1966, comecei a conhecer um pouco mais do trabalho dele. O campeonato juvenil da cidade era empolgante. Tres times eram de muito bom nível: Guarani, Ponte e Mogiana. A Ponte tinha um timaço com o surgimento de Dicá, um franzino e  audacioso jogador vindo da várzea onde jogava pelo Santa  Odila. Mas o Guarani mantinha verdadeiros esquadrões na base. Lindóia, Wilson Campos viriam se profissionalizar mais tarde eram promessas dentre aqueles garotos comandados pelo seo Zé!
A primeira chance como treinador de times profissionais foi na Ponte Preta em 1969. Comandou a chamada "jovem Guarda" da macaca e levou o time de volta à divisão de elite do futebol paulista. Seus atletas costumavam virar "filhos" e acabavam por idolatrar e admirar a figura de Zé Duarte.
Coração "Abacate" foi um apelido dado Peri Chaib. Peri dizia que seo Zé era preto por fora e verde por dentro. Contudo a torcida campineira jamais irá esquecê-lo. Todos gostariam de cortar  bolo e desejar-lhe feliz aniversário. Imortal em nosso coração, esse privilégio fica com os anjos e santos dos céus, que ganharam uma grande figura!

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

CARRETEL, CARRETILHA, LAMBRETA....

Nos tempos de garoto, sob a tutela do querido e inesquecível professor Renato Viscardi, um dos meus grandes prazeres era participar das aulas de educação física. Enérgico, exigente, às vezes amargo no trato com seus alunos. Contudo sua determinação e amor à profissão o faziam diferente. Foram 2 anos  em que jamais esquecerei. Os exercícios físicos e as "aulas" de futebol, onde modéstia à parte me destacava. Eram comum os encontros de futsal entre o meu querido colégio Anibal de Freitas e os outros da cidade. O professor Renato merece um lugar de destaque no meu cantinho de saudade. Gostaria muito de saber por onde anda hoje...
Num desses jogos, entre nós alunos mesmo, me atrevi a tentar um chapéu do tipo carretel. É uma jogada difícil. Tem que envolver o adversário com a bola aérea. A técnica sugere que se prenda a bola por entre os calcanhares e com um dos tornozelos se levante ligeiramente para completar o lance com o outro pé. Quando se bate com o calcanhar na bola ela se movimenta em 180 graus e passa por cima do adversário se transformando em um lindo chapéu, além de clarear a jogada. Tinha visto Kaneco e Manuel Maria, jogadores do Santos executarem o movimento com sucesso.  Tentei e fui feliz. Consegui envolver meu marcador o grande amigo Mirinho. Este inconformado me deu um pontapé quando estava por dominar a pelota do outro lado. Professor Renato puniu o Mirinho, mas me recomendou evitar a jogada para não causar conflitos...
Pois bem, essa jogada está sendo revivida nos pés de Leandro Damião. Fizera contra o Juventude pelo campeonato gaucho e repetiu contra a seleção argentina jogando pelo Brasil em Córdoba. O lance foi lindo. Arrancou merecidos e sinceros aplausos do torcedor argentino. Quase sai o gol. No final, Damião não sabia o nome exato da jogada. Chamou-a de carretilha. Contudo, ninguém sabe o nome correto. Acho até que ainda não foi batizada oficialmente. Para mim fica o nome que aprendi na infância, CARRETEL. 
Leandro Damião tem de continuar a executar a jogada. Além de diferente e bonita, é eficiente. Meu querido professor Renato não vai recomendar o contrário. Mano Menezes ou Dorival Júnior devem incentivá-lo. Na ausência do gol como no jogo Brasil e Argentina, ela pode salvar o espetáculo e servir de referência para que o jogo seja lembrado sempre.
Reconheço que naquele dia o professor Renato tinha razão... Mas tenho certeza que ele adorou a jogada!